A Convenção Democrata de 2004

m 2004 fui convidado a assistir a Convenção Democrata em Boston. Foi um evento lindo, fechado à lideranças do partido, chamados de “delegados” e aberto para a imprensa norte-americana.

Um evento como aquele requer credenciais bem controladas, e todas eram identificadas pelo estado. A minha não tinha nenhuma identificação estadual, mas o letreiro dizia “Special Guest”.

Ninguém jamais terá idéia do que é uma convenção política nos Estados Unidos, a não ser se for a uma. Sobretudo, é um evento produzido para as câmeras de televisão, com musiquinhas de embalo. É quase que uma coreografia.

Embaixo, o povo, dividido por estados, aplaude os speakers, e manifestam sua intenção com bandeiras. Tudo mecanicamente, conforme manda o script. Depois de todas as participações, os votos de cada estado são lidos por aclamação e encerra-se a convenção naquela noite.

Mas o objetivo dos organizadores é chamar a atenção da imprensa, assim os discursos são enviados à imprensa por e-mail. Por ser um show ninguém entra na convenção para discordar de alguma coisa, ou tentar dividir o partido, pois as primarias já foram feitas e agora o assunto está encerrado: o candidato já foi escolhido.

Naquela convenção os nomes já estavam bem definidos: John Kerry e John Edwards, dois senadores com atuação forte no Senado. Edwards, uma espécie de democrata independente, com jeito novo de fazer política, e que tem cara de neném.

A Convenção atrai sempre dinheiro para as cidades-sedes. Atrai também uma multidão de pessoas do pais inteiro, incluindo o estado do Havaí. São delegações e mais delegações. Estão lá também os grandes doadores.

Do ponto de vista de espectador, você vê muita coisa ao mesmo tempo, o povo entrando, as pessoas lá embaixo, o palco, e, nos cantos do Fleet Center, as grandes redes de TV, com seus jornais nacionais transmitidos direto de Boston, naquela noite.

A cidade fica em evidência, o que sempre atrai um bom número de turistas.

Os comentários estão desativados.