Arquivo do dia: 18/02/2007

Leitura de domingo: de volta à grande maçã

Enquanto o táxi cruza as ruas e avenidas de Nova York, eu teço uma conversa com o taxista de mais de 50 anos. Ele é do Haiti e fala inglês com forte sotaque francês. Não gosta de baseball (o táxi passa em frente ao estádio do Mets), e adora o futebol com a ginga brasileira. Os nomes Ronaldo e Ronaldinho saem naturalmente de seus lábios. O taxista é fã incondicional do prefeito Bloomberg (“ele tem tanto dinheiro que pode doar para a cidade”).  Bloomberg, de origem judia, nasceu na grande Boston, e jurou em sua auto-biografia que jamais se tornaria político. O prefeito fez fortuna antes de se tornar político com os terminais de informação na bolsa de valores.

O trânsito da Big Apple vai fluindo rapidamente, mas é nas ruas apertadas de Manhattan que a velocidade do carro tem que diminuir e aparecem semáforos a cada esquina. A viagem termina com o taxista elogiando Pelé, e descobrindo que não tem troco. Desço do táxi e troco o dinheiro no hotel no centro de Manhattan. O táxi fica bloqueando o trânsito por dois minutos, tempo suficiente para as buzinas serem acionadas. O frio e a correria acabaram de dizer que Nova Iorque continua a mesma. Quem perdeu a bússola fui eu.

Nas ruas os pedestres, carros e táxis se misturam formando uma babel. Pode-se ouvir pessoas falando inglês, francês ou escandinavo. Na maioria dos locais públicos não há lugares para sentar, nem latas de lixo. O medo de um atentado deixa as pessoas de pé e desconfortáveis. No mais Nova Iorque é a mesma: fria, mas agradável. Talvez seja como todas as metrópoles: a cidade que nunca dorme vive com moradores à beira de um ataque de nervos. Segure-se quem puder.