As passeatas se repetem enquanto as deportações aumentam

newbedford.jpg O hondurenho Lilo Mancía (na foto com o filho Jeffrey) lamentou, como se sua esposa tivesse morrido, no dia em que ela foi deportada. Enquanto acalmava os dois filhos, Lilo Mancía recebia telefonemas de parentes. A esposa de Lilo, Maria Briselda Amaya foi uma das detentas presas na cidade de New Bedford, no estado de Massachusetts, algumas semanas atrás. “O primeiro pensamento que me veio na cabeça foi sobre o futuro dos nossos filhos”, declarou Lilo.

No ano passados nos Estados Unidos houve uma série de passeatas e eventos que objetivavam mostrar a força do imigrante na estrutura da sociedade norte-americana. Os eventos foram um sucesso em diversas metrópoles do país e apresentaram ao mundo os imigrantes indocumentados de Washington a Los Angeles, de Miami a Boston como uma cena do filme “Babel”.

Hoje a cena se repete, mas sem a mesma intensidade. Novamente imigrantes saem às ruas, em um número menor, com um objetivo de se tornar cidadãos de um país que entraram um dia para fazer a vida, levantar um dinheiro ou mesmosomente encontrar trabalho e viver aqui em paz. O caldeirão de raças se agita novamente. Não há ninguém nesse país que não tenha conhecidos que precisam de papéis ou estejam na fila esperando por documentação.

Mas esse ano a luta tem um objetivo diferente: protestar contra o número de batidas da Imigração no país. Ou seja, quem antes protestava por seus direitos, hoje pode já estar bem longe daqui, morando no próprio país, tentando se readaptar. No ano passado o serviço de Imigração trabalhou com intensidade e deportou mais de 221 mil pessoas, um aumento de 20% sobre o ano anterior.

O drama de Lilo Mancía, que agora luta contra a sua própria deportação enquanto assume o papel de pai e mãe, é o drama de uma nação que uma vez recebeu os imigrantes de braços abertos. A Estátua da Liberdade que o diga.

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Kevin, 5 anos, segura uma carta de sua mãe. Ele se recusa a se alimentar.

Informações baseadas no New York Times.

Link: http://www.nytimes.com/2007/05/01/us/01deport.html

Foto: New York Times

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