Primavera Árabe: O papel da CIA na Síria

Tunísia, Egito, Algéria, Líbia e Iêmen estão entre os países árabes que passaram pelas mudanças revolucionárias a partir de dezembro de 2010, denominadas de Primavera Árabe. A revolução partiu em princípio do povo, começou na Tunísia e contagiou outros países da região. Mas há uma orquestração de outros elementos e/ou interesses, como demonstra a resistência síria.

Wall Street Journal informou em março que agentes da CIA estão recrutando os rebeldes que combatem o regime de Bashar Al-Assad.  A estratégia dos Estados Unidos não é a intervenção militar direta, cara ao país e um modelo já desgastado pelas guerras do Iraque e do Afeganistão. Trata-se de enfraquecer o atual líder sírio com manifestações populares enquanto armas são infiltradas no país via Turquia, supostamente com envolvimento britânico.

O problema da CIA é tentar evitar que a Síria caia nas mãos de um governo radical, estilo xiita, que seria muito pior à política externa norte-americana do que o atual.

Mas há um problema ainda maior: a resistência do Presidente Bashar, que teima em se manter no poder, em meio às manifestações, tem provado sua tenacidade e capacidade de manobra. É o que mostram suas entrevistas ao Sunday Times em março desse ano e ao jornal argentino Clarín na semana passada.

Simplesmente não há sinais de que o líder sírio deixará o país tão cedo.  “Renunciar seria fugir; quem decide se eu fico é o povo, não os EUA”, disse Bashar  ao enviado especial Marcelo Cantelmi na semana passada.

A resistência atual do regime sírio aponta para uma primavera cada vez mais distante.

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